Durante anos, evoluímos a infraestrutura de pagamentos no Brasil. O Pix é prova disso: rápido, barato e amplamente adotado. Ainda assim, havia algo que permanecia quase intocado - a experiência e jornada de pagamento em si.
Abrir o app do banco.
Copiar código.
Escanear QR Code.
Confirmar.
Voltar para a compra.
Ufa, quantos passos. Funciona, mas não é fluido.
É nesse ponto que surge a Jornada Sem Redirecionamento (JSR): um modelo que elimina a necessidade de sair do ambiente de compra para autorizar um pagamento. O impacto vai além da conveniência, ele muda como o Pix compete no varejo físico e no digital. Na prática, isso se materializa de formas diferentes: no varejo físico, via Pix por aproximação; no e-commerce, por meio de modelos de one-click payment.
Cartões de crédito e débito por aproximação oferecem uma experiência simples e intuitiva: encostou, pagou.
O Pix, apesar de representar cerca de 47% dos pagamentos no varejo, ainda exige múltiplos passos. Mesmo sendo rápido, o esforço cognitivo é maior. E em ambientes de alto giro — filas, caixas lotados, compras rápidas — isso faz diferença.
O Pix por aproximação (inclusive em cenários offline) surge exatamente para fechar essa lacuna.
Com ele, o pagamento acontece de forma semelhante à experiência do cartão:
🔹aproximação do celular ou carteira digital;
🔹visualização clara do valor;
🔹autorização com biometria ou senha do dispositivo.
O resultado é uma experiência mais intuitiva, mais rápida e muito mais segura.
No pagamento por cartão por aproximação, o fluxo é passivo: o usuário encosta o cartão ou o celular e, muitas vezes, nem chega a conferir o valor exibido no visor da máquina. Em ambientes de alto fluxo (supermercados, farmácias ou lojas de conveniência) isso se torna uma brecha relevante: cobranças erradas passam despercebidas e o controle fica, na prática, do lado do terminal.
No Pix por aproximação, a lógica se inverte.
O pagamento só acontece após o usuário visualizar claramente o valor no seu dispositivo e confirmar a transação com biometria ou senha. Não há pagamento “automático”, há autorização consciente.
Essa confirmação eleva drasticamente a percepção de segurança. O usuário vê o valor, valida a cobrança e só então conclui o pagamento. Menos erro humano, menos margem para fraudes e mais confiança na experiência.
E o mais interessante: mesmo com a fricção atual, o Pix já ocupa uma fatia relevante dos pagamentos no varejo e cresce ano após ano. Quando essa fricção é removida - sem abrir mão de segurança - o Pix deixa de ser apenas uma alternativa e passa a competir de igual para igual com a experiência dos cartões no ponto mais crítico da jornada: o checkout.
No mundo online, a discussão é ainda mais sensível, pois a conversão é um fator relevante. Do ponto de vista comportamental, isso é decisivo.
Grandes e-commerces brasileiros já entenderam isso há muito tempo. iFood, Mercado Livre e outros gigantes permitem comprar com um único clique, porque o cartão de crédito já está registrado. O one-click payment com Pix, viabilizado por jornadas sem redirecionamento, traz exatamente essa experiência para o meio de pagamento mais usado do país.
A fim de garantir a segurança nas transações, obviamente, para que esse processo seja viabilizado é necessária a concessão de consentimento previamente. O usuário concede um consentimento prévio, com regras claras de valor, escopo e duração. A partir disso, as próximas transações deixam de exigir redirecionamento ou troca de aplicativo, passando a ser autorizações simples, integradas ao checkout.
Estudos em neurociência e comportamento do consumidor mostram que: quanto menos tempo o usuário passa racionalizando o pagamento, mais emocional e imediata é a decisão de compra. Reduzir telas, cliques e interrupções não é apenas UX, é estratégia de conversão.
Esse movimento não passou despercebido.
Grandes bandeiras como Visa e Mastercard entenderam que o Pix não é apenas um meio de transferência, mas um novo trilho de pagamentos.
Com a tendência de redução no uso de cartões tradicionais em determinadas jornadas, essas empresas passaram a investir fortemente em projetos de one-click payments e jornadas sem redirecionamento, buscando ocupar espaço nesse novo ecossistema.
No centro dessa transformação, está o Open Finance. É ele que permite que consentimentos, dados e autorizações sejam tratados de forma padronizada, segura e integrada, tudo isso sem redirecionamentos constantes, sem quebra de contexto e sem fricção desnecessária.
A jornada sem redirecionamento não é apenas uma evolução técnica. Ela representa uma mudança de mentalidade: pagamentos deixam de ser um obstáculo e passam a ser parte invisível da experiência.
No varejo físico, isso significa filas menores e checkouts mais rápidos. No digital, significa menos abandono e mais conversão.
Para plataformas, ERPs e produtos financeiros, significa oferecer experiências modernas sem obrigar o usuário a mudar de banco ou de hábito.
É nesse cenário que soluções como a Pluggy se tornam fundamentais: conectando dados, consentimentos e pagamentos de forma estruturada para quem constrói o produto, ou seja, praticamente invisível para quem paga.
Porque, no fim, a melhor experiência de pagamento é aquela que o usuário quase não percebe.
Postado por
Victor Braga