Em 2025, o Open Finance brasileiro se tornou o maior do mundo em escala. São mais de 154 milhões de consentimentos ativos, dezenas de milhões de pessoas conectadas e um crescimento mensal que supera, em escala, o Open Banking do Reino Unido, modelo que inspirou o brasileiro.
Tudo certo no papel, mas a prática trouxe perguntas que o sistema não estava maduro o suficiente para responder.
O tesoureiro de uma empresa média ainda abre o app do banco para autorizar pagamentos. O cliente que quer portar crédito ainda precisa assinar papel na agência. O ERP ainda depende do upload de OFX para atualizar saldo e conciliar.
Em 2026, a expectativa é de mudança nesse cenário. Não com uma virada de chave única, mas com quatro frentes que entram em produção ao longo do ano e atacam pontos de fricção concretos.
Neste artigo, exploramos cada uma delas na ordem que mais importa para quem está construindo infraestrutura financeira no Brasil.
Trazer a fluidez da pessoa física para as empresas é o próximo grande salto do ecossistema. Hoje, o Open Finance PJ vive em duas velocidades: de um lado, já superamos a marca de 1 milhão de consentimentos ativos e os primeiros players da camada já mensuram retornos sólidos. Do outro, o agregado nacional ainda parece tímido, especialmente quando comparado ao volume avassalador da pessoa física. fica evidente o tamanho do chão que o ecossistema corporativo tem para crescer.
Os números da EY apresentados no Open Talks deixam o tamanho dessa oportunidade escancarado. Enquanto o Reino Unido já tem 20% das suas empresas conectadas, no Brasil esse número é de apenas 3%. O abismo fica ainda mais evidente quando olhamos para a base atual: 99% dos consentimentos ativos no país pertencem a CPFs.
E não é por falta de mercado. Cerca de 86% das PMEs operam com mais de uma instituição financeira — e um quarto delas chega a equilibrar pratinhos entre 6 e 10 bancos diferentes. Existe demanda real e existem casos de uso claros. O que falta, no fim do dia, é uma experiência que feche o ciclo sem fricção.
A raiz do problema é dupla. Primeiro, há um desalinhamento estratégico: a mesma pesquisa da EY aponta que 20% das instituições admitem que o público PJ não é prioridade, e 17% confessam não ter uma proposta de valor clara para o segmento.
Segundo, a realidade bate na porta através da fricção operacional. Hoje, se uma empresa com três sócios quer compartilhar seus dados, o sistema exige que os três entrem no app do banco praticamente ao mesmo tempo para aprovar o consentimento. Na vida real de quem toca um negócio, todo mundo sabe que isso não acontece. Os sócios nunca estão online juntos na hora em que a operação precisa rodar.
O roadmap do BC para o ano coloca a jornada PJ como prioridade declarada. Algumas mudanças estão confirmadas, outras seguem em estudo:
Destravar PJ é o multiplicador de valor número um do ecossistema. Crédito B2B com análise via dados bancários reais, gestão multibancos, conciliação automatizada para tesourarias. Tudo depende dessa frente seguir se desenvolvendo.
É exatamente nesse vão que a Pluggy opera. Clientes como MarketUP, Conta Azul, Nibo e Contabilizei usam a infraestrutura para automatizar conciliação, eliminar upload de extrato e oferecer insights de fluxo de caixa direto dos dados bancários reais dos seus usuários PJ. Para essas plataformas, o avanço regulatório de 2026 não é descoberta. É aceleração do que já está em produção. Se você lidera produto ou tecnologia num ERP, vale conferir o diagnóstico de 5 sinais de que seu ERP precisa se preparar para Open Finance.
Esta é a frente que materializa o Open Finance dentro do sistema onde a empresa de fato trabalha. A Jornada Sem Redirecionamento (JSR) virou obrigatória para todas as instituições detentoras de conta do arranjo Pix em 6 de fevereiro de 2026, conforme Resolução BCB nº 541/2025. Entre fevereiro e abril, a versão 2.2.0 rodou em piloto trazendo, pela primeira vez, a JSR para o segmento PJ, o ambiente desktop e o Pix Automático. Desde 22 de abril de 2026, a oferta pode chegar ao público em geral. É a mudança técnica de maior impacto operacional do ano.
JSR é a tecnologia que permite ao usuário autorizar pagamentos via Pix sem precisar sair para o app do banco. A autenticação acontece dentro do próprio ambiente onde a operação foi iniciada: o ERP, o e-commerce, o marketplace, o app do iniciador.
O tesoureiro está no ERP. Monta um lote de 50 pagamentos a fornecedores. Para aprovar, abre o app do banco no celular. Coloca senha, token, biometria. Aprova um a um, ou em lote, dependendo do banco. Volta para o ERP para confirmar a conciliação. Cada salto é um ponto de fricção, e cada fricção é uma chance de abandono.
O ERP é vinculado à conta da empresa como dispositivo confiável via Open Finance. Essa autorização inicial acontece uma única vez, e é o ponto de autenticação forte do fluxo. A partir dali:
O ganho operacional é direto:

Os bancos participantes do piloto, segundo a documentação oficial do Open Finance Brasil, são Bradesco, BTG, C6, Digio, BB, Inter, Pan, Santander, Votorantim, XP, Caixa, CloudWalk, Sicredi, Sicoob, Itaú, Mercado Pago, Neon, Nubank, PagSeguro e PicPay. Cobre a base. O que entra agora vira regra geral em pouco tempo.
Para ERPs e plataformas B2B, a JSR para PJ é a frente que coloca o Open Finance dentro da rotina operacional da empresa. Não é "abrir o app do banco". É o banco vindo até onde o trabalho já acontece.
Um ponto que aparece na operação diária e que os documentos regulatórios não capturam: o ganho real só vem quando o vínculo de dispositivo funciona bem em primeira tentativa. Cada fricção no onboarding inicial é um cliente que volta para o fluxo antigo. Vale construir esse onboarding com mais cuidado que o necessário. É o ponto que define se a JSR vira hábito ou exceção.
Em fevereiro de 2026, a portabilidade de crédito 100% digital entrou em operação. É a primeira aplicação transacional do Open Finance brasileiro voltada para o cluster de crédito. E o cronograma se estende por todo o ano, com algumas modalidades pendentes para depois.
A base legal é a Resolução Conjunta nº 15/2025 do CMN com o Banco Central, publicada em 28 de novembro de 2025.

| Quando | Modalidade | | --------------------------- | ------------------------------------------------------------------------------- | | ✅ Nov/2025 a fev/2026 | Fase de testes restritos (piloto com 27 instituições) | | ✅ Fev/2026 (já em operação) | Crédito Pessoal sem garantia e sem consignação (CPC) | | Ago/2026 | Início dos testes para crédito consignado do setor público federal | | Nov/2026 | Lançamento público da portabilidade de consignado para servidor público federal | | Sem data definida | Consignado INSS, consignado estaduais, consignado privado, crédito imobiliário |
A ordem não é arbitrária. Crédito pessoal sem garantia é o caminho mais simples: não envolve margem consignável, integração com Dataprev e Serpro, nem garantia real. O ecossistema absorve essa modalidade primeiro e usa o aprendizado para as próximas, que são tecnicamente mais complexas. O crédito imobiliário é o destino final, e o mais demorado.
O contexto comercial pesa. A modalidade de crédito pessoal sem garantia tem taxas que chegam a passar de 20% ao mês. Em dezembro de 2025, a carteira de crédito pessoal não consignado no Brasil somava R$ 385,4 bilhões, segundo análise da Let's Money sobre o cenário. O Banco do Brasil já tinha ultrapassado R$ 2 bilhões em portabilidade baseada em dados do Open Finance e atendido mais de 57 mil clientes antes mesmo da operação plena entrar em vigor. O apetite do consumidor existe e é visível.
A consequência estrutural é que a portabilidade transforma uma decisão financeira "praticamente encerrada" em algo revisável ao longo do tempo. O cliente para de depender só da instituição onde contratou e ganha espaço para buscar condições melhores em taxa, prazo ou adequação.
Para fintechs e instituições financeiras que não são o banco principal do cliente, a portabilidade é a maior abertura de mercado em anos. Para ERPs e plataformas de gestão financeira, é uma camada de valor a oferecer ao usuário final: sugerir refinanciamento com base nos dados consolidados que o sistema já enxerga.
Em abril de 2025, o Banco Central publicou a versão 7.0 do Manual de Escopo de Dados e Serviços do Open Finance. Foi nessa versão que apareceu a "jornada otimizada". A implementação efetiva pelas instituições acontece ao longo de 2026.
Jornada otimizada é o mecanismo que combina dois consentimentos (um primário e um secundário) em uma única aprovação do usuário, eliminando jornadas separadas para operações complementares como pagamento + leitura de saldo.
Hoje, se um aplicativo quer iniciar um pagamento via Open Finance e, ao mesmo tempo, consultar saldo ou extrato para validar limite ou oferecer crédito, são dois consentimentos separados. Duas jornadas. Dois redirecionamentos. Dois pontos de abandono.
Os dois consentimentos passam a ser aprovados em conjunto:
A combinação dos dois em um único fluxo de aprovação reduz fricção e abre espaço para experiências que não eram possíveis antes.
A jornada otimizada amplia consideravelmente o que o usuário autoriza em uma única decisão. Pesquisa da Febraban mostrou que mais da metade dos clientes que compartilham dados no Open Finance não sabem que estão fazendo isso, e quase 80% sequer reconhecem a empresa que recebeu as informações.
Juntar dois consentimentos em uma única tela só funciona se a transparência for reforçada. O escopo dos dois pedidos precisa ficar evidente no momento da aprovação. Isso é responsabilidade compartilhada entre o regulador, as instituições e os iniciadores que constroem em cima da camada.
Para liderança de produto, a leitura é direta: a jornada otimizada é a base técnica que permite construir experiências de pagamento integradas a dados. Quem dominar essa orquestração ganha velocidade na hora de lançar produtos financeiros embarcados.
As quatro frentes exploradas nesse artigo concentram a maior parte da transformação, mas o roadmap do Open Finance em 2026 tem outras peças no horizonte:
A obrigatoriedade da JSR para todas as instituições detentoras de conta do arranjo Pix entrou em vigor em 6 de fevereiro de 2026, conforme Resolução BCB nº 541/2025. O piloto da versão 2.2.0, que estende a JSR ao segmento PJ, ao ambiente desktop e ao Pix Automático, rodou entre 6 de fevereiro e 21 de abril de 2026. Desde 22 de abril de 2026, a oferta pode chegar ao público em geral, segundo a documentação oficial do Open Finance Brasil.
A JSR (Jornada Sem Redirecionamento) é a tecnologia que permite ao usuário autorizar pagamentos sem sair do ambiente em que a operação foi iniciada. A jornada otimizada vai além: combina dois consentimentos distintos (um primário e um secundário) em uma única aprovação. Em resumo, JSR resolve o problema do redirecionamento, e jornada otimizada resolve o problema de múltiplas autorizações em operações compostas.
Os bancos participantes do piloto JSR 2.2.0 são Bradesco, BTG, C6, Digio, BB, Inter, Pan, Santander, Votorantim, XP, Caixa, CloudWalk, Sicredi, Sicoob, Itaú, Mercado Pago, Neon, Nubank, PagSeguro e PicPay, conforme a documentação oficial do Open Finance Brasil. A lista cobre a base do sistema bancário nacional, e a obrigatoriedade da JSR (em sua versão base) já se aplica a todas as instituições detentoras de conta do arranjo Pix.
A portabilidade de crédito consignado para servidores públicos federais via Open Finance terá início dos testes em agosto de 2026 e lançamento público em novembro de 2026, segundo o cronograma oficial divulgado pela Associação Open Finance Brasil. Outras modalidades (consignado INSS, estaduais, privado e crédito imobiliário) ainda não têm data definida no cronograma regulatório.
Em abril de 2025, o Open Finance brasileiro reunia cerca de 589 mil empresas conectadas, um crescimento de 146% em 12 meses (eram 239 mil em abril de 2024), segundo levantamento da EY. Mesmo com esse avanço, o número representa cerca de 3% das mais de 20 milhões de empresas ativas no país, contra 20% no Reino Unido. É exatamente nesse vão que mora a maior oportunidade comercial do ecossistema para 2026.
Em escala, sim. O Open Finance brasileiro completou 5 anos em fevereiro de 2026 com mais de 154 milhões de consentimentos ativos e 100 milhões de clientes conectados, segundo dados da Associação Open Finance Brasil. Vale ressaltar que o modelo brasileiro tem escopo mais amplo: inclui crédito, investimentos, seguros e previdência, enquanto o Reino Unido opera no formato Open Banking, restrito a dados de conta e iniciação de pagamento.
2026 não é o ano em que o Open Finance "vai começar a entregar". É o ano em que ele entrega dentro do ERP, no momento do crédito, no checkout e na conciliação. As quatro frentes descritas saem do papel ao longo dos próximos meses e vêm para ficar.
Quem está construindo nessa camada agora captura a próxima onda.
A Pluggy é ITP autorizada pelo Banco Central, conecta a 99%+ dos bancos brasileiros via uma única API e processa mais de 530 mil conexões por mês com clientes como MarketUP, Conta Azul, Nibo, Contabilizei e Thomson Reuters. As quatro frentes deste artigo já estão sendo construídas na nossa infraestrutura: iniciação de pagamento via JSR, conexão PJ com dados padronizados, fluxos transacionais para portabilidade e orquestração de consentimentos múltiplos.
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Postado por
Victor Braga | Co-founder Pluggy