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API de extrato bancário para ERPs e softwares de gestão: guia completo para 2026

Open Finance

Todo ERP e sistema de gestão chega no mesmo ponto da jornada de produto. O cliente final cansou de baixar OFX no fim do dia, o módulo financeiro precisa conciliar sozinho, e tem três ou quatro fornecedores de API de extrato bancário na mesa pra avaliar.

A primeira call com cada um soa idêntica. Todo mundo cobre "os principais bancos", todo mundo tem "documentação completa", todo mundo promete "suporte dedicado". No slide, os fornecedores parecem intercambiáveis.

Na integração, não são.

Este é um guia completo pra quem decide e pra quem implementa em ERP ou sistema de gestão: CEOs, CFOs, CPOs, Heads de Produto e Tech Leads que vão escolher uma API de extrato bancário em 2026. Começa pelo básico (o que é e como funciona), passa pelo que isso muda no negócio, e fecha com 10 critérios de avaliação e uma prova de conceito (POC) de 4 semanas pra decidir com dado próprio.

O que é e como funciona, na prática

Uma API de extrato bancário é a ponte entre a conta bancária do seu cliente e o seu ERP. Em vez de o cliente baixar um arquivo OFX no banco e subir no sistema, ele autoriza uma vez e o dado passa a chegar sozinho. O caminho tem três passos:

  1. Consentimento. O cliente autoriza o compartilhamento no app do próprio banco, num fluxo regulado. Esse consentimento tem prazo (até 12 meses no Open Finance) e pode ser revogado por ele a qualquer momento. [6]
  2. Conexão. A API conecta na conta e puxa transação, saldo, dado de boleto e de Pix, já padronizados.
  3. Fluxo contínuo. A partir daí o ERP recebe a movimentação de forma automática, e a conciliação deixa de ser tarefa de sexta pra virar parte do fluxo. (Quem quiser o detalhe da conciliação, escrevemos sobre isso em conciliação bancária via API.)

Um detalhe que pega quem atende empresa: a conta PJ costuma exigir mais de uma aprovação pra liberar o consentimento (as alçadas). É uma fricção real, e o Banco Central colocou a melhoria dessa jornada na agenda de 2025–2026. [5] Vale perguntar ao fornecedor como ele lida com conta que tem múltiplos aprovadores, porque é o caso da maioria dos seus clientes PJ.

OFX, conector proprietário ou Open Finance

A maioria dos ERPs ainda vive em um destes três mundos. Saber a diferença é o primeiro filtro antes de escolher fornecedor.

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O custo do mundo OFX não é só tempo. Cada banco gera o arquivo do seu jeito (segundo a documentação de suporte de ERPs como a Conta Azul, o Bradesco, por exemplo, exporta sempre até a data atual, o que vira divergência de saldo), e a conciliação acaba feita registro a registro, na mão. [8] Multiplique isso pela base de clientes do seu ERP e o tamanho do problema aparece.

Por que 2026 é o ano dessa decisão

O Open Finance brasileiro completou cinco anos em fevereiro de 2026. Segundo o Dashboard do Cidadão do Open Finance Brasil, divulgado pela Febraban e pelo Finsiders Brasil, o país passou de 154 milhões de consentimentos ativos e mais de 100 milhões de clientes ou contas conectadas, o maior do mundo. Entre 2024 e 2025, a quantidade de consentimentos únicos cresceu 143%. [1]

Três coisas aconteceram em sequência e mudaram o que uma API de extrato bancário precisa entregar:

  • Pix Automático entrou no ar em 16 de junho de 2025. Cobrança recorrente via Pix, autorizada uma vez, sem cartão e sem boleto no meio. O Banco Central posicionou a modalidade como alternativa direta ao débito automático e ao DDA. [2]
  • Iniciação de pagamento via Pix dentro do Open Finance movimentou R$ 15,3 bilhões em 2025, quase cinco vezes os R$ 3,2 bilhões de 2024, segundo o Finsiders Brasil. [1]
  • Portabilidade de crédito pelo Open Finance chegou ao público geral em fevereiro de 2026, começando pelo crédito pessoal (Resolução Conjunta nº 15/2025). O consignado de servidor público federal tem testes previstos para agosto e lançamento para novembro de 2026. [3]

E tem um detalhe que bate direto no seu cliente. A adesão de empresas ainda é baixa: em 2026, o próprio Banco Central afirmou que cerca de 99% dos consentimentos estão concentrados em pessoas físicas. [4] Segundo a EY, o Brasil tem perto de 3% de empresas conectadas, contra cerca de 20% no Reino Unido. [5] A agenda regulatória de 2025–2026 colocou a melhoria da jornada de Open Finance para PJ como prioridade.

Some-se a pressão da Reforma Tributária. A transição começou em 2026, com um ano de testes do IVA Dual (CBS e IBS) a alíquotas simbólicas, e o ERP virou peça central da apuração fiscal da empresa. Pesquisa da NTT DATA de abril de 2026 aponta que 65% das empresas já começaram a adaptar sistemas fiscais e plataformas de gestão. [7] Quem está mexendo no ERP por causa do imposto reavalia também a infraestrutura financeira dele. A janela de decisão está aberta agora.

Lê-se assim: o ERP que resolver a conexão bancária da PME agora pega uma onda que mal começou. Mas só pega se o fornecedor de API der conta dos produtos que estão entrando no Open Finance, não só do extrato de ontem.

O que isso vira pro seu negócio (não só pro seu time técnico)

Os 10 critérios mais à frente são pra quem implementa. Mas a decisão também é de quem cuida de receita e retenção, então vale subir um nível.

Quando o dado bancário entra no ERP, o cliente para de pular pro app do banco e pro Excel e passa a resolver a vida financeira dentro do seu sistema. Isso muda três coisas:

  • Retenção. O cliente que concilia, paga e cobra dentro do ERP tem muito mais motivo pra ficar. A funcionalidade financeira vira rotina diária, não um extra que ele esquece que existe.
  • Monetização. Conciliação automática, Pix dentro da fatura e cobrança recorrente são funcionalidades pelas quais o cliente paga. Viram linha de receita, não só custo de infraestrutura.
  • Posição competitiva. Enquanto o seu ERP ainda pede upload de OFX, o concorrente que integrou Open Finance está ocupando esse espaço.

A MarketUP, plataforma de gestão e PDV para PMEs, viu as ativações de Open Finance crescerem 4x depois de trocar de fornecedor (o caso está em parceria MarketUP e Pluggy). O que importa não é o logo na apresentação. É quantos clientes do ERP de fato ligam a funcionalidade e passam a usar.

Se você ainda não tem certeza se o seu ERP está no momento de fazer isso, listamos os 5 sinais de que o ERP está pronto pro Open Finance.

O que mais entra pela mesma API

Extrato é a porta de entrada, não o fim. O mesmo fornecedor que traz o dado também pode iniciar pagamento, e isso amplia o que o seu ERP oferece sem trocar de infraestrutura:

  • Iniciação de pagamento via Pix. Um botão de Pix dentro da fatura ou do contas a pagar. O cliente paga sem sair do ERP e o sistema dá baixa sozinho.
  • Pix Automático. Cobrança recorrente autorizada uma vez, sem cartão e sem boleto no meio. Pra ERP de mensalidade (academia, escola, assinatura), ataca inadimplência direto. A Cloud Gym, ERP de academias, usou Pix Automático pra cortar inadimplência e taxa de cartão. (Como funciona em detalhe: Pix Automático.)
  • Pagamentos em lote. Salário, fornecedor e imposto numa autorização só. Alternativa moderna ao CNAB.
  • Portabilidade de crédito. Disponível ao público desde fevereiro de 2026, abre espaço pra ERP que quer entrar em crédito (portabilidade de crédito). [3]

A escolha de fornecedor de hoje define o que você consegue lançar amanhã. É por isso que o critério 10 (roadmap) pesa tanto.

O que está em jogo na decisão

Trocar de fornecedor de API de extrato bancário é caro. A integração encosta no módulo financeiro, na conciliação automática, no dashboard de fluxo de caixa, nas contas a pagar e a receber. Quem já migrou sabe: o custo real não é a sprint de desenvolvimento, é o retrabalho que se espalha por toda a base de clientes ativos do ERP.

A escolha boa, feita uma vez, evita de 18 a 24 meses de dor.

A escolha errada aparece depois, parcelada: cobertura bancária menor que a prometida, padronização frágil que vira tratamento de exceção dentro do seu código, indisponibilidade que vira chamado do cliente final, e preço que sobe fora da curva quando o volume cresce.

Os 10 critérios abaixo estão em três blocos: técnicos (cobertura e qualidade do dado), operacionais (integração e estabilidade) e comerciais (preço e relacionamento). Cada um vem com a pergunta direta pra fazer ao fornecedor antes de assinar.

Critérios técnicos

1. Cobertura bancária real, não a do slide

Todo fornecedor diz cobrir "os principais bancos brasileiros". A pergunta certa não é quais bancos. É quanto cada banco funciona de fato, hoje, nas últimas horas.

Cobertura tem duas camadas. A nominal é a lista de bancos suportados. Em 2026, qualquer fornecedor sério cobre os cinco grandes (Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander, Caixa) e os digitais de peso (Nubank, Inter, C6). A efetiva é quanto cada conector entrega na prática, e isso varia por banco, por tipo de conta (PF, PJ, investimento) e por horário. Fornecedor maduro mostra a saúde de cada conector, com status do tipo ONLINE, OFFLINE ou UNSTABLE e taxa de conexão das últimas horas.

Pra um ERP, isso não é detalhe. Se o conector do banco que concentra metade da sua base cai numa sexta de fechamento, o chamado chega no seu suporte, não no do fornecedor.

Pergunta pro fornecedor: "vocês têm um painel de status dos conectores, com taxa de sucesso por banco nas últimas 6 horas?" Resposta vaga ou "temos status interno" é sinal de operação manual e pouca transparência.

2. Qualidade e profundidade do dado

Trazer transação é o mínimo. Trazer transação que o seu ERP entende sem retrabalho é o que separa os fornecedores.

Pra um sistema de gestão, os campos que importam vão além de data, valor e descrição:

  • ID único e estável da transação. Sem ele, duplicidade vira chamado toda semana.
  • Contraparte com CPF ou CNPJ. É o que casa a transação com o cadastro de cliente e fornecedor do ERP de forma automática.
  • Categorização automática, pra cortar classificação manual.
  • Detalhes de Pix (pagador, instituição, end-to-end ID) pra conciliar cobrança na hora.
  • Boleto pago (linha digitável, beneficiário) pra dar baixa sozinho em contas a receber.
  • Saldo atualizado, separado do saldo de fechamento.

Pergunta pro fornecedor: "manda um payload de exemplo de um Pix recebido e de um boleto pago, com todos os campos disponíveis." Se vier só o básico, sobra pro seu time reconstruir o resto, e o trabalho manual que a API ia matar continua vivo.

3. Padronização entre bancos

Cada banco tem sua mania. Bom fornecedor resolve a mania antes do dado chegar no seu sistema. Fornecedor mediano empurra a mania pro seu código tratar.

A pergunta concreta: um Pix recebido do Itaú e um Pix recebido do Nubank chegam com a mesma estrutura, mesmo formato de data, mesma codificação de caracteres? Ou cada banco tem sua versão e o seu ERP vira uma fábrica de exceções?

Pergunta pro fornecedor: "mostra, lado a lado, um payload do mesmo tipo de transação (um Pix recebido, por exemplo) vindo de três bancos diferentes." Padronização real é visual: os JSONs ficam quase idênticos. Padronização de slide é discurso.

4. Regulação, segurança e responsabilidade sobre o dado

Existem dois jeitos de um fornecedor brasileiro acessar dados bancários hoje.

O conector proprietário (raspagem ou integração ponto a ponto que depende do internet banking de cada banco) funciona, mas depende do humor do canal do banco: muda o layout, quebra sem aviso, e vive numa zona cinza de regulação.

O Open Finance regulado pelo Banco Central é acesso via API padronizada, com autenticação OAuth 2.0, FAPI e mTLS, e consentimento formal do usuário com validade de até 12 meses, conforme a documentação do Open Finance Brasil. [6] É estável, rastreável e com responsabilidade definida.

Tem a camada da LGPD junto. O dado é do cliente, o consentimento é dele, e ele decide quais contas compartilha, por quanto tempo e com qual sistema. A responsabilidade sobre esse dado também é sua, então peça pro fornecedor explicar como ele trata revogação e exclusão de dado, não só como ele conecta.

A maioria dos fornecedores em 2026 roda um modelo híbrido: Open Finance onde existe, conector proprietário pra cobrir banco que ainda não participa. O que importa é saber o equilíbrio.

Pergunta pro fornecedor: "qual a fatia da cobertura via Open Finance regulado e qual via conector proprietário? E qual o histórico de quebra dos conectores proprietários nos últimos 12 meses?" Pra ERP que carrega dado financeiro de PME, peso maior em Open Finance regulado é o caminho mais seguro.

Critérios operacionais

5. Documentação e experiência de quem integra

A primeira semana de integração conta mais sobre o fornecedor do que a apresentação comercial inteira. Documentação clara? SDK atualizado? Sandbox com dado parecido com o real? Exemplo de código na linguagem do seu time?

Pergunta pro fornecedor: "manda o link da documentação pública, sem cadastro, e a do widget de consentimento." Documentação atrás de login atrasa quem está avaliando três opções em paralelo. Doc aberta e completa já é um critério de qualidade por si.

6. Sandbox que serve pra testar de verdade

Sandbox de mentira é pior que sandbox nenhum. Serve pra mostrar um endpoint cuspindo JSON estático. Não serve pra testar erro real, caso de borda, webhook.

Sandbox de verdade tem:

  • Conta de teste com dado que parece dado real (descritivo sujo, valor quebrado, formato variado)
  • Simulação de erro (consentimento expirado, banco offline, rate limit)
  • Suporte completo a webhook (entrega, retry, validação de assinatura)
  • Acesso sem custo antes do contrato

Pergunta pro fornecedor: "quantos dias de trial sem cartão de crédito? E o sandbox suporta Pix Automático, webhook de transação e simulação de erro de consentimento?" Trial gratuito com acesso às funcionalidades de produção, sem cartão, é o padrão de 2026 pra fornecedor sério.

7. SLA e estabilidade

API de extrato bancário é infraestrutura crítica pro seu ERP. Se cai, o cliente final percebe na hora, abre chamado, e a sua software house fica espremida entre o cliente irritado e o fornecedor que não responde.

SLA declarado é fácil. SLA cumprido se mede no histórico.

Pergunta pro fornecedor:

  • "qual o SLA de disponibilidade declarado?" (espere 99,5% ou mais)
  • "qual a disponibilidade real medida nos últimos 12 meses? Tem status page público?"
  • "qual o canal em caso de incidente e o tempo médio de resposta?"

Fornecedor com status page público e número mensurável trata estabilidade como produto. Fornecedor que responde "raramente cai" trata como sorte.

8. Suporte e relacionamento

Suporte se mede em dois momentos: na integração e quando algo quebra em produção.

Na integração, a pergunta é se existe canal direto com engenheiro do fornecedor (não formulário genérico) e quanto demora a primeira resposta técnica. Em produção, é se tem canal de incidente, escalonamento e alguém que conhece a sua conta.

Pra ERP com base relevante, canal dedicado, CS proativo e um responsável de conta que sabe o seu caso são diferença real. Pra operação menor, canal compartilhado resolve, desde que o tempo de resposta seja honesto.

Pergunta pro fornecedor: "como funciona o suporte pra cliente do meu porte? Tenho canal dedicado? Quem é o responsável de conta?"

Critérios comerciais

9. Preço previsível

Os modelos variam:

  • Por conta conectada (por conexão ativa, mensal). Previsível, escala com a base do cliente final.
  • Por consumo (por chamada ou transação retornada). Pode pesar se o ERP sincroniza muito.
  • Por plano (valor fixo com volume incluso, faixas de escalonamento). Previsível, comum em fornecedor enterprise.
  • Híbrido (plano base mais excedente).

Não tem modelo certo. Tem modelo adequado pro seu perfil de uso.

Pergunta pro fornecedor:

  • "pro meu volume estimado (X contas conectadas, Y sincronizações por dia), qual o custo mensal nos planos disponíveis?"
  • "como o custo escala se o volume dobra?"

Fornecedor que não consegue projetar isso com clareza está dizendo que o modelo não está fechado, e a surpresa chega no boleto do mês seguinte. A Pluggy, por exemplo, trabalha com modelo de planos, com a tabela aberta na página de preços e um trial gratuito pra você medir o uso real antes de qualquer compromisso financeiro.

10. Roadmap e velocidade de produto

O Open Finance não para. Em 2025 entrou o Pix Automático. Em 2026 entrou a portabilidade de crédito, e o Banco Central já colocou portabilidade de salário e de investimentos na fila dos próximos passos. [1][3]

O fornecedor que você escolhe hoje é quem vai (ou não vai) entregar esses produtos pro seu ERP daqui a dois anos.

Pergunta pro fornecedor:

  • "qual o roadmap dos próximos 12 meses? O que vão lançar?"
  • "como tratam cliente existente no acesso a produto novo? Tem fila de prioridade?"
  • "exemplo concreto: quando o Pix Automático entrou no ar, em quanto tempo a API de vocês ficou pronta?"

Quem respondeu rápido no passado responde rápido no futuro. Quem ainda está implementando funcionalidade de dois anos atrás não vai te acompanhar.

Como rodar uma POC em 4 semanas

A melhor forma de avaliar não é slide de venda. É prova de conceito técnica de 4 semanas. Custo baixo, decisão com dado próprio.

Semana 1: setup

  • Subir o trial gratuito do fornecedor (sem cartão de crédito)
  • Conectar de 3 a 5 contas de teste (PJ e PF) nos bancos com mais peso na sua base de clientes
  • Avaliar o fluxo de consentimento e o widget no front-end
  • Anotar a primeira impressão de UX

Semana 2: qualidade do dado

  • Puxar o histórico de transação de cada conta conectada
  • Avaliar o payload: campos completos, padronização entre bancos, qualidade da categorização e da identificação de contraparte
  • Testar tipos variados: Pix recebido, boleto pago, débito automático, transferência, compra no cartão
  • Comparar com o OFX da mesma conta pra achar os buracos

Semana 3: casos de borda

  • Simular erro: consentimento expirado, banco offline, rate limit
  • Testar webhook de transação
  • Validar a reentrega de webhook em caso de falha
  • Avaliar a mensagem de erro: dá pra agir em cima dela?

Semana 4: estabilidade e suporte

  • Deixar a integração rodando uma semana inteira
  • Medir disponibilidade real, tempo de resposta, taxa de erro
  • Abrir dois ou três chamados de complexidade diferente e cronometrar a resposta
  • Montar o comparativo com os outros fornecedores em avaliação

No fim das quatro semanas você tem uma matriz com dado seu, não com promessa de vendedor, pra levar ao comitê de decisão.

Os 10 critérios em uma tabela

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O que não precisa pesar tanto

Pra não perder tempo, vale dizer o que importa menos:

  • Marca do fornecedor. O mercado de API de Open Finance no Brasil ainda está se acomodando. Fornecedor pequeno com produto bom entrega mais que fornecedor grande com produto velho.
  • Lista de clientes famosos. Saber que "marca X usa" não diz nada sobre o seu caso. O que importa é se o fornecedor atende bem cliente do seu porte, da sua vertical e do seu volume.
  • Funcionalidade secundária. Cinquenta endpoints exóticos não salvam quem falha no básico: cobertura, padronização, estabilidade.

O caminho prático

Pra time de produto e Tech Lead de ERP que está começando a avaliar API de extrato bancário, três passos:

  1. Mapeie o perfil de uso. Quantos clientes ativos? Qual o volume médio de transação por conta? Quantos bancos diferentes na base?
  2. Escolha 3 fornecedores pra POC. Critério de entrada: cobertura bancária e modelo de preço adequados ao seu perfil. Inclua ao menos um com presença forte em Open Finance regulado.
  3. Rode as 3 POCs em paralelo. Mesma equipe testando os três, mesma matriz de avaliação, decisão por dado.

A Pluggy entra aqui como ponto de partida da POC: trial gratuito com acesso completo, agregação bancária via Open Finance, sem cartão de crédito e com contas suficientes pra testar de verdade. Fale com um especialista da Pluggy pra desenhar o plano de acordo com o volume do seu ERP.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre API de extrato bancário e API de Open Finance?

API de Open Finance é um subconjunto de API de extrato bancário. Open Finance é o padrão regulado pelo Banco Central, baseado em consentimento formal e autenticação OAuth 2.0, FAPI e mTLS. API de extrato bancário, no sentido amplo, pode incluir também conector proprietário (raspagem, integração ponto a ponto). Fornecedor moderno costuma combinar os dois: Open Finance pra maioria dos bancos, conector proprietário pra cobrir lacuna.

Dá pra cobrar do meu cliente pela funcionalidade financeira no ERP?

Dá, e muitos ERPs fazem. Conciliação automática, Pix dentro da fatura e cobrança recorrente são funcionalidades pelas quais o cliente paga. O custo da API vira insumo de uma linha de receita, não despesa solta. O modelo (incluir no plano, cobrar à parte ou por uso) é decisão sua.

Como funciona o consentimento pra conta PJ?

A conta PJ costuma exigir aprovação de mais de uma pessoa (as alçadas), o que adiciona fricção em relação à conta PF. O Banco Central priorizou melhorar essa jornada na agenda 2025–2026. Na avaliação do fornecedor, teste o fluxo de consentimento PJ de verdade, não só o de PF.

ERP pequeno deve construir integração própria ou usar fornecedor?

Em quase todo caso, usar fornecedor. Construir do zero significa solicitar credenciais junto ao Banco Central, implementar OAuth 2.0, FAPI e mTLS, manter conector pra cada banco, acompanhar mudança regulatória e garantir SLA. É trabalho de uma equipe dedicada por anos. O custo é incomparavelmente maior que assinar um plano.

Quanto tempo leva pra integrar uma API de extrato bancário no ERP?

Pra uma integração básica (puxar extrato de contas conectadas e exibir no sistema), de uma a duas sprints (10 a 20 dias úteis) é viável com fornecedor que tem doc boa e SDK pronto. Pra integração mais profunda, com conciliação automática contra contas a receber, baixa automática e webhook, o trabalho cresce de 2 a 4 sprints a mais.

O ERP precisa de autorização do Banco Central pra usar Open Finance?

Não diretamente. O ERP se integra a uma plataforma já regulada como Iniciadora de Transação de Pagamento (ITP) ou agregadora de dados. A responsabilidade regulatória fica com o fornecedor. O ERP opera via API sem precisar de licença própria.

O que acontece se o fornecedor de API for descontinuado ou comprado?

Risco real num mercado em consolidação. Pra reduzir: escolha fornecedor com cliente pagante em produção (sinal de saúde financeira), prefira fornecedor regulado pelo Banco Central, com licença formal (sinal de compromisso de longo prazo), e mantenha a integração com uma camada de abstração no seu ERP, pra permitir troca futura sem reescrever tudo.

Como saber se o volume justifica o investimento?

Calcule duas coisas. Primeiro, o tempo que o cliente final do ERP economiza por mês (gestor financeiro, contador), multiplicado pelo número de clientes ativos. Segundo, a queda em chamado de suporte por problema de conciliação. Pra um ERP com mais de 100 clientes ativos com dor de conciliação, o retorno costuma aparecer em 6 a 12 meses.

A API de extrato bancário substitui o OFX de vez?

Não no curto prazo, mas resolve a maioria dos casos. O OFX segue útil como fallback pra banco fora do Open Finance e pra exportação pontual. Vale manter o OFX como opção secundária por 6 a 12 meses e ir depreciando conforme o fluxo via API estabiliza. Na prática, cada banco gera o OFX no seu próprio jeito, e isso já é fonte de divergência de saldo e conciliação manual registro a registro.

Qual a diferença entre fornecedor de API de extrato e gateway de pagamento?

São produtos diferentes. Gateway processa transação (Pix, cartão, boleto) pro cliente final pagar. API de extrato bancário traz o dado de transação que já aconteceu, pro ERP ler e conciliar. ERP que cobre emissão, cobrança e conciliação costuma usar os dois tipos.

Como o fornecedor trata mudança regulatória do Banco Central?

Diferença real entre fornecedores. O maduro acompanha a agenda do Banco Central, implementa antes do prazo obrigatório e avisa o cliente com antecedência. O reativo só mexe quando o cliente cobra. Pergunta direta: "quando saiu a versão mais recente do perfil de segurança do Open Finance, em quanto tempo vocês adequaram?"

Referências

  1. Finsiders Brasil. Brasil lidera Open Finance no mundo com 100 milhões de clientes (02/02/2026). Dados do Dashboard do Cidadão do Open Finance Brasil e da Febraban: 154 milhões de consentimentos ativos, 100 milhões de clientes, crescimento de 143% em consentimentos únicos, iniciação de pagamento via Pix em R$ 15,3 bilhões e portabilidade de salário e investimentos no radar.
  2. Banco Central do Brasil, via Mattos Filho. BCB divulga Pix Automático (11/06/2025). Lançamento em 16/06/2025 e posicionamento frente a débito automático e DDA.
  3. Agência Brasil. Banco Central lança portabilidade de crédito no open finance (28/11/2025). Público geral em fevereiro de 2026 (crédito pessoal), Resolução Conjunta nº 15/2025, consignado de servidor público federal previsto para novembro de 2026.
  4. Finsiders Brasil. BC discute novas portabilidades e Open Finance dos recebíveis (13/03/2026). Banco Central: cerca de 99% dos consentimentos concentrados em pessoas físicas.
  5. EY (estudo OpenTalks), via TI Inside. Jornada de consentimento ainda limita adesão das empresas ao Open Finance (23/01/2026). 3% das empresas conectadas no Brasil contra 20% no Reino Unido; jornada de consentimento PJ como entrave; agenda do BC 2025/2026 prioriza PJ.
  6. Open Finance Brasil. Perguntas frequentes e Perfil de Segurança (FAPI). Consentimento com validade de até 12 meses; padrão de segurança OAuth 2.0, FAPI e mTLS.
  7. NTT DATA, via Exame. Transição da reforma tributária ainda gera dúvidas para 41% das empresas (16/04/2026). 65% das empresas já iniciaram a adaptação de sistemas fiscais e plataformas de gestão (ERP).
  8. Conta Azul. Integração bancária via OFX: perguntas frequentes (2026). Cada banco gera o OFX em formato próprio; o Bradesco exporta sempre até a data atual, gerando divergência de saldo.

Postado por

Victor Braga | Co-founder Pluggy