API Open Banking: O que é e como funciona?
API de Open Banking: o que é, como funciona e por que o nome oficial virou Open Finance. Quem é obrigado a participar e a linha do tempo regulatória.
Uma API de Open Banking é a interface que permite a uma empresa ler dados financeiros de uma instituição, ou iniciar um pagamento nela, depois que o cliente autoriza. No Brasil isso não é um acordo bilateral entre empresas: é um sistema regulado pelo Banco Central, com padrão técnico único para todas as instituições participantes.
Uma observação de nomenclatura antes de seguir: no Brasil o nome oficial não é mais Open Banking. Desde 2 de maio de 2022 a regulamentação usa Open Finance. Os dois termos apontam para o mesmo sistema, e este artigo explica a diferença abaixo.
O que é uma API de Open Banking
O Open Finance é uma iniciativa que permite o compartilhamento seguro e padronizado de dados financeiros e serviços entre diferentes instituições, por meio da integração de seus sistemas. Ele é fundamentado no princípio do consentimento: uma empresa só recebe informação de um cliente se ele autorizar explicitamente aquela transmissão.
Ao contrário de um aplicativo ou produto específico, é uma estrutura de regras e tecnologias que dá ao cliente autonomia sobre os próprios dados e promove concorrência, eficiência e inovação no setor.
A primeira definição oficial veio no Comunicado nº 33.455, de 24 de abril de 2019, em que o Banco Central conceituou o sistema como o compartilhamento de dados, produtos e serviços pelas instituições autorizadas, a critério de seus clientes, por meio de abertura e integração de plataformas e infraestruturas de sistemas de informação, de forma segura, ágil e conveniente.
Open Banking ou Open Finance: o nome mudou em 2022
Esse é o ponto que mais confunde quem pesquisa o assunto hoje.
O sistema nasceu como Open Banking na Resolução Conjunta nº 1, de 4 de maio de 2020. A Resolução Conjunta nº 4, de 24 de março de 2022, alterou essa norma e trocou o nome para Open Finance, com efeito a partir de 2 de maio de 2022. O texto consolidado da regulamentação hoje não traz mais nenhuma ocorrência do termo Open Banking.
A troca não foi cosmética. A palavra "banking" sugeria que só dado bancário entrava no escopo, quando o sistema já previa câmbio, investimentos, seguros e previdência complementar aberta.
Na prática: quem procura por API de Open Banking e quem procura por API de Open Finance no Brasil está atrás da mesma coisa. Se a sua documentação técnica ou o seu contrato ainda usam o termo antigo, o nome regulatório correto é Open Finance.
Como funciona na prática
O processo envolve a integração de sistemas por meio de APIs, que atuam como pontes de comunicação entre as instituições. As APIs padronizam a troca de informações e garantem a segurança dos dados compartilhados. O cliente, pelos aplicativos das suas instituições, solicita o compartilhamento de dados específicos, como dados cadastrais, transacionais e de produtos e serviços.
O compartilhamento só acontece de forma criptografada e depois de três etapas obrigatórias: consentimento, autenticação e confirmação. O fluxo ocorre entre duas instituições por vez, a que transmite e a que recebe, sempre dentro dos canais oficiais delas.
As empresas participantes recebem e compartilham dados umas com as outras, o que caracteriza o princípio da reciprocidade previsto na norma.
Quem é obrigado a participar
Esse ponto mudou recentemente e boa parte do conteúdo disponível na internet ainda traz a regra antiga.
Até o fim de 2024, a obrigatoriedade alcançava apenas as instituições enquadradas nos Segmentos 1 (S1) e 2 (S2) da Resolução nº 4.553, de 30 de janeiro de 2017.
Desde 1º de janeiro de 2025, por força da Resolução Conjunta nº 10, de 4 de julho de 2024, o grupo obrigatório passou a incluir também as instituições individuais e as pertencentes a conglomerados com mais de cinco milhões de clientes, conforme base de dados indicada pelo Banco Central.
As demais instituições autorizadas pelo Banco Central participam de forma voluntária. É por isso que a cobertura real do Open Finance é bem maior do que a lista dos grandes bancos.
A linha do tempo regulatória
Para quem precisa citar a norma certa em documentação, contrato ou parecer:
| Norma | Data | O que estabeleceu |
|---|---|---|
| Comunicado nº 33.455 | 24/04/2019 | Primeira definição e as propostas iniciais do Banco Central sobre o tema |
| Consulta Pública nº 73 | 28/11/2019 | Recebeu contribuições do mercado sobre as minutas de circular e resolução |
| Resolução Conjunta nº 1 | 04/05/2020 | Criou o sistema, com objetivos, princípios e definições |
| Circular nº 4.015 | 04/05/2020 | Detalhou o escopo de dados e serviços objeto de compartilhamento |
| Circular nº 4.032 | 23/06/2020 | Definiu a governança em três níveis: estratégico, administrativo e técnico |
| Resolução BCB nº 32 | 29/10/2020 | Estabeleceu os requisitos técnicos e procedimentos operacionais, detalhados em manuais temáticos |
| Resolução Conjunta nº 4 | 24/03/2022 | Trocou o nome de Open Banking para Open Finance, com efeito em 02/05/2022 |
| Resolução Conjunta nº 10 | 04/07/2024 | Ampliou o grupo de participação obrigatória a partir de 01/01/2025 |
A implementação foi feita em fases ao longo de 2021 e está concluída. Desde então o sistema evolui por ciclos de release definidos pela estrutura de governança, não por novas fases.
Segurança e proteção dos dados
O Open Finance está sujeito à regulamentação do Banco Central. As instituições participantes são reguladas e supervisionadas, e estão sujeitas a punição em caso de descumprimento das regras.
A Lei Geral de Proteção de Dados também se aplica. O cliente decide quais dados compartilhar, com quem e por quanto tempo, e pode cancelar a autorização a qualquer momento, com a mesma facilidade com que a concedeu. Não existe cobrança do cliente para autorizar o compartilhamento.
Open Finance e Pix: a diferença
São iniciativas independentes e complementares.
O Pix é um arranjo de pagamentos instantâneos. O Open Finance é o conjunto de regras para o compartilhamento de dados e serviços. O ponto em que se encontram é a iniciação de transação de pagamento, que é um dos serviços previstos no escopo do Open Finance e que normalmente usa o Pix como trilho de movimentação instantânea de fundos entre instituições.
Em uma frase: o Open Finance dá a autorização, o Pix move o dinheiro.
E a Pluggy?
A Pluggy permite que bancos, fintechs, ERPs e empresas de outros segmentos agreguem contas de diferentes instituições financeiras por meio de uma única API, padronizando e categorizando dados para tornar viável a criação de soluções financeiras aos seus clientes.
A Pluggy é autorizada pelo Banco Central como Iniciadora de Transação de Pagamento, então o mesmo contrato cobre leitura de dados e movimentação de dinheiro.
Entre em contato conosco ou teste a API no sandbox sem cartão de crédito.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre API de Open Banking e API de Open Finance?
Nenhuma, no contexto brasileiro. São dois nomes para o mesmo sistema. Open Banking é o nome original, usado entre 2020 e maio de 2022. Open Finance é o nome vigente na regulamentação desde então.
Preciso ser autorizado pelo Banco Central para consumir uma API de Open Finance?
Para participar diretamente como instituição receptora, sim. A maioria das empresas de software não segue esse caminho: acessa os dados por meio de uma instituição já autorizada, que expõe tudo por API. Nesse modelo o seu produto consome dados e pagamentos sem precisar de licença própria.
A API de Open Finance cobre todos os bancos?
Cobre as instituições participantes, que incluem o grupo obrigatório e as voluntárias. Instituições e tipos de dado fora do escopo regulado exigem conectores de acesso direto, e é por isso que a maioria das integrações no Brasil combina os dois caminhos.
Quanto tempo dura o consentimento?
O prazo é definido pelo cliente no momento da autorização, dentro dos limites da regulamentação, e pode ser revogado a qualquer momento. Na prática isso significa que a sua aplicação precisa tratar renovação de consentimento como parte do fluxo, não como exceção.
Existe API de Open Finance gratuita para testar?
Existe sandbox gratuito. Você cria a conta, recebe credenciais e faz a primeira chamada com dados simulados, sem cartão de crédito. Ambiente de produção é pago e varia por plano, como você vê em pluggy.ai/precos.
Fontes
- Comunicado nº 33.455, de 24 de abril de 2019
- Resolução Conjunta nº 1, de 4 de maio de 2020 (CMN e Banco Central), texto consolidado
- Circular nº 4.015, de 4 de maio de 2020, e Circular nº 4.032, de 23 de junho de 2020
- Resolução BCB nº 32, de 29 de outubro de 2020
- Resolução Conjunta nº 4, de 24 de março de 2022
- Resolução Conjunta nº 10, de 4 de julho de 2024
- Resolução nº 4.553, de 30 de janeiro de 2017, que define os segmentos S1 a S5
- Portal Open Finance Brasil, seção Evolução regulatória do Open Finance no Brasil
Última atualização: 17 de setembro de 2026.
Leia também
Melhor API de Open Finance no Brasil: 8 critérios para avaliar
Não existe melhor API de Open Finance universal. São 8 critérios objetivos para comparar fornecedores e decidir com dado, não com slide comercial.
API de extrato bancário para ERPs e softwares de gestão: guia completo para 2026
Guia completo para escolher API de extrato bancário para ERP e sistema de gestão: 10 critérios, POC de 4 semanas e o que mudou no Open Finance.
Open Finance 2026: as 4 novidades que mudam Pix, crédito e ERP no Brasil
Em 2026, o Open Finance entrega dentro do ERP, na portabilidade de crédito e no checkout. Veja as 4 frentes regulatórias que saem do papel ao longo do ano e o que muda para quem constrói infraestrutura financeira.