O que é enriquecimento de dados bancários
O extrato cru não diz quase nada. Enriquecimento é o que transforma uma descrição bancária em categoria, estabelecimento e contraparte identificada.
Quem já abriu um extrato bancário dentro de um sistema sabe o problema: a linha existe, o valor está certo, e mesmo assim ninguém consegue dizer o que foi aquilo.
MC DONALDS. PAG*TEC 4471. TED 0341 12/09.
O banco te entrega o dado. Ele não te entrega o significado. Enriquecimento é a camada que cobre essa distância.
O conceito
Enriquecimento de dados bancários é o processo de adicionar informação a uma transação que o banco não enviou: a categoria do gasto, o estabelecimento real por trás da descrição, a contraparte com CPF ou CNPJ, e o padrão de recorrência.
O dado bruto responde "quanto e quando". O dado enriquecido responde "o quê e para quem".
Como é uma transação antes e depois
Esse é o exemplo da nossa própria documentação, e vale mais do que qualquer explicação.
Antes, o que chega do banco:
{
"id": "76a87d4d-89f2-4544-a431-b5d8a45146c7",
"amount": -100,
"date": "2024-09-06T00:00:00-03:00",
"description": "MC DONALDS"
}Depois, o mesmo registro enriquecido:
{
"id": "76a87d4d-89f2-4544-a431-b5d8a45146c7",
"amount": -100,
"date": "2024-09-06T00:00:00-03:00",
"description": "MC DONALDS",
"type": "DEBIT",
"merchant": {
"name": "mc donalds",
"businessName": "ARCOS DOURADOS COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA",
"cnpj": "42.591.651/0001-43"
},
"category": "Comer fora"
}Repare no que mudou. A descrição continua igual, porque ela é o dado original e não se mexe nele. O que entrou foi a razão social, o CNPJ e a categoria.
Na prática, isso é a diferença entre uma tela que mostra linha de extrato e uma tela que mostra uma análise.
As camadas do enriquecimento
Na prática são quatro coisas diferentes que o mercado chama pelo mesmo nome.
Categorização. Classificar a transação num conjunto fixo de categorias. É a camada mais conhecida e a mais fácil de confundir com o resto.
Identificação de estabelecimento. Descobrir que MC DONALDS é a Arcos Dourados, com CNPJ. Isso não é categorizar: é resolver a descrição para uma entidade real.
Contraparte. Em Pix e TED, trazer quem pagou e quem recebeu, com nome e documento. É o que faz conciliação automática funcionar de verdade.
Recorrência. Perceber que aquela mesma cobrança aparece todo mês. É o que destrava alerta de assinatura, previsão de caixa e análise de capacidade de pagamento.
Por que a descrição bancária brasileira é um problema específico
Aqui tem um detalhe que quem já tentou resolver isso em casa reconhece na hora.
A descrição de transação no Brasil não tem padrão. Cada instituição escreve do seu jeito, com abreviação própria, limite de caracteres próprio e código interno no meio. O mesmo estabelecimento aparece de cinco formas diferentes dependendo de onde o cliente passou o cartão.
Somado a isso: adquirente no meio do caminho (PAG*, MP*, CIELO), nome fantasia que não bate com razão social, e Pix em que a descrição é literalmente o que a pessoa digitou.
Modelo treinado em dado de outro país não resolve isso, porque o problema não é de língua, é de convenção bancária local.
Regra ou modelo?
Todo mundo começa por regra. É a decisão certa no primeiro mês e a errada no sexto.
Regra funciona bem para os casos óbvios: se contém "UBER", é transporte. O problema é que a cauda longa é enorme. Para cada estabelecimento grande que uma regra pega, existem centenas de padarias, mercadinhos e prestadores que nenhuma lista cobre.
E regra não se corrige sozinha. Quando o banco muda o formato da descrição, ou quando um adquirente muda o prefixo, a regra para de casar e alguém descobre pelo suporte.
Modelo lida melhor com a cauda longa e com variação de escrita, desde que tenha sido treinado no tipo de descrição que ele vai ver.
O que isso destrava no produto
Enriquecimento não é um fim, é pré-requisito de coisas que o seu cliente percebe.
- Conciliação automática. Casar recebimento com título em aberto só é confiável quando você sabe de quem veio o dinheiro, e não só quanto entrou.
- Análise de crédito. Ler capacidade de pagamento exige separar receita recorrente de entrada eventual.
- Gestão financeira. Qualquer gráfico de "para onde foi o dinheiro" depende de categoria.
- Antifraude e KYC. Contraparte com documento é sinal, descrição solta não é.
E a Pluggy nisso tudo?
Na Pluggy, o enriquecimento vem junto com o dado. Quando você lê uma transação pela API de dados, ela já chega com categoria e com o objeto merchant preenchido quando o estabelecimento foi identificado, exatamente como no exemplo lá em cima. Não é um segundo passo que você precisa orquestrar.
Se você já tem base própria de transações, coletada por outro caminho, existe a API de Enriquecimento como serviço separado: você manda até 5.000 transações por requisição e recebe de volta categorizadas e com estabelecimento resolvido. Dá para informar se a conta é corrente ou cartão e se é PJ ou PF, e isso melhora o resultado.
O campo merchant vem null quando o estabelecimento não foi identificado. Preferimos devolver nulo a devolver um palpite, porque num sistema financeiro palpite errado custa mais caro que campo vazio.
A referência técnica completa, com os formatos de requisição e a lista de categorias, está na documentação.
Perguntas frequentes
Categorizar e enriquecer são a mesma coisa?
Não. Categorizar é uma das camadas do enriquecimento. Identificar estabelecimento, resolver contraparte e detectar recorrência são outras três.
O enriquecimento altera o dado original do banco?
Não. A descrição original continua lá, intacta. O enriquecimento adiciona campos novos ao lado dela.
Dá para enriquecer dado que eu já tenho, coletado por outro caminho?
Dá. É exatamente para isso que existe a API de Enriquecimento como serviço separado.
E quando o estabelecimento não é identificado?
O campo merchant volta nulo. A transação continua categorizada, só não tem a entidade resolvida.
Funciona em conta PJ?
Funciona, e vale informar isso na requisição. O padrão de gasto de empresa é diferente do de pessoa física, e o resultado melhora quando o modelo sabe disso.
Conclusão
O dado bancário bruto é o começo do trabalho, não o fim. Quem recebe extrato e precisa construir categoria, estabelecimento e contraparte por conta acaba mantendo um produto inteiro dentro do produto.
Se isso não é o que te diferencia no seu mercado, dá para ver como a transação chega enriquecida antes de decidir construir.
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