Como o Open Finance apoia contadores
O extrato do cliente deixa de ser pedido e passa a chegar sozinho. O que muda no fechamento do mês, quem autoriza o quê e o que o Open Finance não resolve.
Open Finance muda uma coisa específica na rotina de um escritório contábil: o extrato do cliente deixa de ser algo que você pede e passa a ser algo que chega. O cliente autoriza uma vez, dentro do app do próprio banco, e os dados passam a fluir para o sistema que o escritório já usa.
Esse artigo explica o que muda na prática, o que exatamente trafega, quem autoriza o quê e o que ainda depende de você.
O que muda no fechamento do mês
| Sem Open Finance | Com Open Finance |
|---|---|
| Você pede o extrato ao cliente por e-mail ou WhatsApp | O cliente autoriza uma vez no app do banco |
| Cliente baixa OFX, PDF ou printa a tela | Os dados chegam sozinhos, todo dia |
| Cada banco entrega em um formato | Todas as instituições chegam no mesmo schema |
| Alguém digita ou importa arquivo | Nada é digitado |
| Erro de digitação e lançamento faltando | O dado vem da fonte, sem passo manual no meio |
| Você descobre o problema no fechamento | Você vê a movimentação no dia em que aconteceu |
Quem faz o quê
Esse ponto costuma gerar confusão, então vale explicitar.
O cliente do escritório autoriza o compartilhamento. A autorização acontece no ambiente do banco dele, com prazo de validade e direito de revogar a qualquer momento. Ele não entrega senha para o escritório.
O software contábil ou o ERP faz a integração com a API. É o fornecedor do sistema que implementa, uma vez, e passa a oferecer o recurso para toda a base de escritórios.
O escritório consome o resultado dentro do sistema que já usa. Não precisa de time técnico, não precisa de licença do Banco Central e não integra API nenhuma.
Se você é o escritório, o caminho é perguntar ao fornecedor do seu sistema se ele já tem Open Finance. Se você desenvolve o sistema, o recorte está em Open Finance para softwares contábeis.
O que exatamente chega
O escopo do Open Finance é definido por norma do Banco Central e cobre, entre outros:
- saldo e extrato de conta corrente e poupança;
- transações de cartão de crédito, incluindo faturas e parcelamentos;
- operações de crédito contratadas;
- posições de investimento;
- dados cadastrais do titular;
- detalhe das movimentações, incluindo Pix, TED e débitos, com pagador, recebedor e descrição.
Tudo isso chega no mesmo formato JSON, independente da instituição, somando 220 instituições financeiras brasileiras.
Categorização: o passo que economiza mais tempo
Receber o extrato bruto resolve metade do problema. A outra metade é classificar.
A camada de enriquecimento identifica o estabelecimento por trás da transação, classifica a natureza do lançamento, detecta recorrência e reconhece transferências entre contas do mesmo titular, que são justamente as que mais poluem uma conciliação feita na mão.
Na prática isso significa que a transação chega já classificada, e o trabalho do escritório passa de digitar para revisar exceção.
E do lado de pagamentos
Além de ler dados, o Open Finance prevê a iniciação de transação de pagamento. A Pluggy é autorizada pelo Banco Central como Iniciadora de Transação de Pagamento, então cobranças e pagamentos via Pix podem acontecer dentro da mesma integração, sem o usuário sair para o app do banco.
Isso fecha o ciclo: o sistema vê a movimentação e também consegue iniciá-la.
O que Open Finance não resolve
Para ser honesto sobre o limite: o escopo é definido em norma, e dado que está fora dela não trafega por ali. É por isso que a maioria das integrações no Brasil combina Open Finance com conectores de acesso direto, que cobrem instituições e informações fora do escopo regulado.
Também não resolve processo: se o escritório não tem rotina de revisão, receber dado melhor só antecipa a descoberta do problema.
Perguntas frequentes
O escritório precisa de autorização do Banco Central?
Não. Quem precisa ser autorizado é a instituição que recebe os dados. O escritório consome o resultado dentro do software que usa.
O cliente precisa entregar senha do banco?
No caminho regulado do Open Finance, não. A autorização acontece dentro do app ou site do próprio banco, por redirecionamento.
Por quanto tempo vale a autorização?
O consentimento tem prazo de validade compatível com a finalidade declarada, conforme a Resolução Conjunta nº 7, de 26 de outubro de 2023, e pode ser revogado pelo cliente a qualquer momento. Na prática, renovação de consentimento faz parte da rotina.
Meu sistema contábil atual suporta isso?
Depende do fornecedor. Vale perguntar diretamente a ele. Vários sistemas contábeis e ERPs brasileiros já oferecem o recurso.
Isso substitui o OFX?
Para as instituições cobertas, sim. O OFX continua existindo como plano B para o que ainda não está coberto, mas deixa de ser o caminho padrão.
Por onde começar
Se você desenvolve software contábil ou ERP, pode testar no sandbox gratuito, sem cartão de crédito, e a documentação técnica está em docs.pluggy.ai.
Se você toca um escritório e quer entender o recorte do seu lado, a página de Open Finance para contadores e escritórios mostra como isso aparece no seu dia a dia, ou fale com o time.
Última atualização: 17 de setembro de 2026.
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